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Entrevista com Antônio Xerxenesky: vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura

Com o romance "Uma Tristeza Infinita", Antônio Xerxenesky venceu a última edição de um dos maiores prêmios da literatura brasileira.

Antônio Xerxenesky
Foto por: Renato Parada

Antônio Xerxenesky nasceu em 1984, em Porto Alegre, capital do estado de Rio Grande do Sul. Radicou-se em São Paulo.


Sua relação com a literatura começou ainda na infância, por influência dos pais. Depois de ler inúmeros livros, sentiu que precisava escrever suas próprias histórias.


Começou a escrever em segredo, e, já em sua primeira obra, venceu um concurso municipal de literatura.


Atualmente, Xerxenesky escreve, traduz, leciona e edita. É autor de obras como: Areia nos dentes (2008), F (2014), As perguntas (2017) e Uma Tristeza Infinita (2021).


Com Uma Tristeza Infinita venceu o Prêmio São Paulo de Literatura em 2022, na categoria de melhor romance publicado em 2021, recebendo pelo prêmio, a quantia de R$200 mil.


Em 2012, Antônio Xerxenesky foi eleito um dos vinte melhores escritores brasileiros pela revista britânica Granta.


Além disso, participou também como artista residente no International Writing Program, em Iowa City (Estados Unidos), e da Fondation Jan Michalski, em Montricher (Suíça).


Xerxenesky também ministra oficinas de escrita criativa, assim como, cursos de literatura e filosofia.


É doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP).


Em sua trajetória como tradutor, já traduziu mais de vinte livros do espanhol e do inglês para o português. Entre eles, destacam-se os livros: O romance luminoso, de Mario Levrero, Temporada de furacões, de Fernanda Melchor, e 1984, de George Orwell.


Leia na íntegra a entrevista completa com o autor!




Entrevista com Antônio Xerxenesky

Antônio Xerxenesky
Foto por: Renato Parada

1. Você poderia contar um pouco sobre a sua história com a escrita?


Comecei desde muito cedo, na adolescência; por ser filho de pais leitores, virei também um leitor voraz. Depois de tantas leituras, senti que aquilo transbordava e eu precisava sentar e narrar minhas histórias também.


Não contei a ninguém que escrevia, e naquela época, não havia redes sociais para conhecer outros escritores por aí, ou sequer publicações online fortes.


Então meu primeiro livro surgiu assim, escrevendo em segredo e mandando para um concurso da prefeitura - que ganhei.


Faz menos de 20 anos que sou escritor, mas o cenário era absolutamente distinto. Não havia tantas oficinas, não havia redes sociais para descobrir pessoas com interesses em comum, não havia editoras independentes aos montes.


Era, de fato, um interesse que se perseguia solitariamente. A minha sorte foi ter uma família que sempre valorizou os livros.


2. Pra você, qual é a função do escritor na sociedade?


Por muitos e muitos anos, fui um pessimista. Repeti que o escritor era um parasita social, que a falta de leitores tornava o escritor um ser supérfluo e desnecessário, sem impacto real.


Hoje discordo do meu eu-passado. Há um livro incrível de Herbert Marcuse chamado "A dimensão estética" no qual ele argumenta que escritores não podem mudar o mundo, mas podem criar novas formas de consciência, de ver o mundo, e que pessoas com o poder de mudar o mundo podem ler esses livros.


Eu acho que é uma visão mais alentadora, à qual subscrevo.


3. Você disse nas suas mídias sociais que demorou 15 anos para receber o primeiro prêmio literário, que foi o Prêmio São Paulo de Literatura. No seu ponto de vista, por que “Uma Tristeza Infinita” se sobressaiu aos demais?


É difícil de admitir, mas reconheço que ter feito um livro realista, mais distantes da literatura de gênero, garantiu um acesso maior ao meu livro.


O meu anterior, "As perguntas", foi vendido como um livro de terror, e só aí já se cortou boa parte do alcance do livro. Ainda enfrentamos o problema de que literatura de gênero não é levada a sério.


"A tristeza infinita" não é um livro realista ordinário, se passa em outra época, em outro lugar, e também não é um romance histórico. Ainda assim, atinge um público maior por desviar dos preconceitos imediatos de gênero literário.


4. Talvez a minha pergunta soe idiota, mas como eu não sei, preciso perguntar: o que seria um "livro realista"?


Aqui, estou falando no sentido mais bobo: ficção literária, sem monstros, sem espaçonaves, sem crimes misteriosos.


5. Se possível, você poderia citar as três principais obras que te ajudaram, de alguma maneira, a escrever melhor? Pode ser também obras que te marcaram profundamente…


"Bestiario", de Cortazar. "Tudo o que sobe deve convergir", Flannery O'Connor. "O arco-íris da gravidade", Thomas Pynchon.


Acho que aprendi algo com os 3 livros, ainda que não sejam meus favoritos da vida.


6. Se você pudesse falar com todos os escritores do mundo, neste exato momento, que mensagem você daria a eles?


Continuem.

 

Entrevista realizada em 04/01/2023

 

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